terça-feira, 13 novembro, 2018

Jovens executados a tiros em Viamão eram amigos e caso repercutiu na GauchaZH




Arquivo Pessoal / Divulgação.

Familiares lamentaram a perda do jovem Émerson Pinto de Oliveira, de 20 anos, na reportagem da GaúchaZH desta quarta-feira (16). O rapaz foi executado a tiros junto com Pablo Terra Dávila, de 24 anos, e William Ariel Trindade da Silva, de 15 anos, na noite de terça-feira (15) na Rua Santo Antônio, no bairro Esmeralda, em Viamão. Os três vizinhos foram mortos em uma sequência de disparos que assustou os moradores. Esta foi a segunda chacina do ano no município e a nona registrada na Região Metropolitana.

 Na noite de terça-feira, Émerson foi atingido próximo de casa, junto com os outros dois amigos. Pablo tinha retornado havia pouco do trabalho. Os disparos teriam sido efetuados por criminosos que chegaram ao local em um veículo sedan escuro. Os assassinos teriam se apresentado inicialmente como policiais, depois, efetuaram os disparos. 

“Era um menino bom. Sempre me respeitou”, conta a tia, que foi responsável por cuidar de Émerson desde que ele fez seis anos. Desolada na janela da casa, ela lamenta a perda precoce do rapaz a quem considerava como um filho. O jovem cresceu no bairro, junto com os irmãos, e cursou até a quinta série na Escola Estadual de Ensino Médio Professor Tolentino Maia, próximo de onde residia. Depois, se desinteressou pelos estudos e abandonou o colégio. Émerson trabalhou como auxiliar de cozinha em restaurantes, mas atualmente estava desempregado.

 “Era um guri alegre. Tiraram a nossa felicidade. Era ele que fazia a gente rir”, diz outra familiar. “Foi um horror. Foram mais de 40 tiros” relata uma moradora, que prefere não ser identificada, por medo. 

William, que também residia no bairro, foi encontrado morto a tiros em um terreno baldio. Alvejados por diversos disparos, Émerson e Pablo chegaram a ser socorridos com vida. Os familiares levaram os dois até o hospital de Viamão, mas eles não resistiram. A Brigada Militar fez buscas pelos criminosos, com apoio de um helicóptero do Batalhão de Aviação. Os três jovens foram sepultados na manhã desta quinta-feira (17), em Viamão.

Polícia suspeita de tráfico

Segundo a delegada Caroline Jacobs, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Viamão, a principal suspeita da polícia é que a execução esteja ligada à disputas ou desavenças envolvendo o tráfico de drogas. “Pela forma como eles agiram e por algumas informações que conseguimos obter, mas que não posso revelar para não atrapalhar o andamento do caso, acreditamos que provavelmente esteja ligada ao tráfico”, explica Caroline.

Durante esta quarta-feira, foram ouvidas testemunhas e realizadas outras diligências em busca de pistas sobre os autores do crime. A delegada aguarda o resultado da perícia.

Chacinas na Região Metropolitana 

A 3,5 quilômetros de onde os amigos foram executados, no bairro Santa Cecília, os dois proprietários de um bar haviam sido mortos a tiros junto com um cliente, no dia 5 de abril. Aquela foi primeira chacina deste ano em Viamão. 

“Até que andava calmo ultimamente. Mas a gente sabe que agora é assim. Eles vêm e matam uns quantos juntos” afirma outra moradora do bairro Esmeralda. 

A constatação da dona de casa que vê isso acontecer na porta de casa expõe uma nova tática das facções criminosas para aniquilar os rivais. Os assassinatos com requintes de crueldade, como esquartejamentos ou decapitações, forma usada pelos criminosos para demonstrar poder deram lugar às chacinas nos últimos meses. 

Neste caso, em Viamão, a polícia recolheu diversos estojos de calibre 9 milímetros, considerado de uso restrito. O emprego de armamentos pesados também é uma característica comum nas chacinas, como forma de executar um maior número de rivais. Na Região Metropolitana, 29 pessoas foram executadas em chacinas desde o início deste ano. Os crimes ocorreram em Viamão, Porto Alegre, Alvorada e Canoas.