sexta-feira, 20 abril, 2018

Balneário Pinhal registra queda na produção do mel




Imagem Ilustrativa.

A Festa do Mel poderá retornar ao calendário de eventos de Balneário Pinhal, a conhecida “Capital do mel”, enfrenta queda da produção na apicultura. Os produtores locais de mel nas duas últimas décadas tem enfrentado problemas com a mudança nas características das florestas de eucaliptos, com a quantidade de apicultores na época da florada e até com a falta de incentivo do poder público.

A maior parte do mel produzido na região é vendida em bombonas, por preços menores, e acaba sendo exportada ou revendida em locais distantes do Litoral Norte, com pouco valor agregado. Na reportagem ao Correio do Povo, os produtores rurais relataram as dificuldades da apicultura na região:

O apicultor Gustavo Gomes de Almeida aproveitou as melhores floradas de Balneário Pinhal, na década de 1990. “Foi um período muito bom, mas depois a tendência começou a ser de queda”, recorda, apontando como principais motivos do recuo a migração para o município litorâneo, na época da florada, de apicultores de outras regiões; a mudança do perfil de eucalipto plantado; e até o tipo de campo na região. “As espécies antigas (de eucaliptos) são as melhores, mas foram substituídas por espécies novas. Algumas até dão néctar, mas outras não dão nem flor. O eucalipto evoluiu também, mas para a apicultura não foi bom”, analisa, admitindo que a fama do município não corresponde mais à realidade. “Balneário Pinhal ficou conhecido como lugar do mel, e não é tanto”, conclui.

Gustavo Gomes viveu o auge da atividade e percebe recuo da produção | Foto: Mauro Schafer.

Na melhor época de produção de Balneário Pinhal, o setor chegou a movimentar 28 toneladas de mel por ano. Hoje não movimenta dez toneladas, segundo Almeida, que, mesmo assim, entende que o volume é razoável. “Um ano bom, com tempo bom, dá rendimento”, afirma. Nelson Roque Auth, que também trabalha há décadas na atividade, concorda que a atual produção ainda é rentável.

A proprietária da Tenda do Mel, Maristela Corrêa, acompanha a produção e consumo há cerca de 30 anos e tem uma visão diferente da dos apicultores. “No comércio evoluiu a venda, mesmo com o comentário de crise”, afirma. “Produto bom é assim: vai de boca em boca”, diz.

O técnico em agropecuária da Emater, Lindomar Pereira de Souza, destaca que a apicultura na região está em constante avaliação e vai bem porque está livre de agrotóxicos. Ele também salienta que o trabalho é realizado com a visão de melhorar a qualidade do produto, já que não há como aumentar a quantidade. “Não dá pra ultrapassar as colmeias que cabem no município”, comenta.

Diante da retração da apicultura, o Executivo municipal pretende incentivar a comercialização do mel, bem como de outros produtos primários, na própria região. A ideia é montar uma associação, que venderia mel, hortaliças, frutas e ovos à prefeitura, para a merenda escolar, e ao mercado local.

O diretor do Departamento de Agricultura e Pesca de Balneário Pinhal, Joacir Fernando da Cruz, observa que nos últimos anos não ocorreu nenhuma reunião entre o Executivo e produtores e anuncia que os encontros serão retomados. “Em março haverá uma reunião aberta para definir a criação da associação”, adianta. Sobre a Festa do Mel, o diretor ressalta que a produção e o mercado deverão estar mais fortalecidos para que o retorno seja justificado. “Não podemos realizar uma festa sem produção do mel, não tem lógica ter que buscar mel de fora do município para realizar a festa”, argumenta.

Mas as ações de curto e longo prazo não estão descartadas. Cruz ressalta que a prefeitura vai trabalhar na melhoria da produção de forma conjunta e no retorno da Festa do Mel, logo que possível. “Agora será um trabalho de formiga”, prevê. “Em março, realizaremos uma campanha de reflorestamento de árvores nativas para o mel e frutas”, anuncia. “O objetivo é sermos novamente a capital do mel”.




Informações: Correio do Povo.